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quarta-feira, 25 de Abril de 2018

 

António Carvalheira Santos, chefe de serviço de pneumologia do Hospital Pulido Valente.

"É essencial a centralização dos cuidados no doente..."

 

 

É essencial nos tempos de hoje a centralização dos cuidados no doente e um dos novos caminhos passa por uma visão interdisciplinar, em que diferentes saberes concorrem simultâneamente para a resolução de determinado problema. Hoje os doentes são complexos com diferentes campos de abordagem e esta deve ser convergente. Um bom exemplo são as doenças respiratórias crónicas, onde convergem os saberes de médicos para avaliação e prescrição, enfermeiros importantes no ensino e prestação de cuidados, fisioterapeutas na reabilitação, nutricionistas, psicólogos, terapêutas ocupacionais e assistentes sociais.


Um outro ponto importante diz respeito ao envolvimento do doente na sua doença, informando-o da sua situação concreta e do porquê das atitudes de diagnóstico e terapêutica tomadas em conjunto, o que é relevante para o resultado final.


Um último ponto por mim abordado diz respeito à acessibilidade à prestação de cuidados. O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias tem um protocolo de colaboração com a Universidade do Minho no sentido de avaliar as razões da elevada taxa de mortalidade, particularmente no grupo etário superior a 79 anos, que atinge os 30%. Desse estudo verifica-se que é nos primeiros 3 dias que há mortalidade significativa. Apesar de haver mais mortalidade nos meses de inverno, é nos meses de verão que há maior taxa
de mortalidade. Estes aspectos estão intimamente ligados à acessibilidade aos cuidados de saúde. Os doentes com idades mais elevadas muitas vezes são sintomas gerais como alteração do comportamento, astenia, anorexia predominantes em relação aos sintomas relacionados com a doença pneumonica, como febre, tosse, expectoração ou dispneia. Por isso, muitas vezes não se suspeita da doença em tempo útil e por isso quando é internado a doença já evoluiu decisivamente. O mesmo se aplica com a maior taxa de mortalidade nos meses de verão, também aqui por diagnóstico tardio e consequente falta de acessibilidade em tempo útil.


António Carvalheira Santos
Chefe do serviço Pneumologia do Hospital Pulido Valente
Sessão: Dados e Evidência | Health Parliament Portugual

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