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sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

 

António Curado, diretor clínico do Centro Hospitalar do Oeste.

"O melhor gestor do doente será ele próprio..."

 

Na sequência das questões levantadas na Sessão Dados e evidência/Health Parliament Portugal, em boa hora organizado, com a eficiência habitual, pela APEGSAUDE, oferece-me responder a algumas questões levantadas e fazer um comentário final.


Sou a favor do registo único do doente, salvaguardadas que sejam as garantias de proteção de dados pessoais.

O melhor gestor do doente será o próprio, promovendo-se o empowerment do cidadão, mas também a sua literacia em Saúde.
Não será necessária a criação de uma nova figura de assistente médico, desde que funcione bem a Medicina Geral e Familiar, como se pretende justamente promover, nomeadamente no acesso.
É, no entanto, fundamental que haja um tempo adequado para a relação com o doente e obviamente que é importante envolver o doente e considerar a sua própria visão.
Não concordo que a satisfação do doente seja um critério, pelo menos absoluto, de avaliação e financiamento. O ser simpaticamente atendido não pode substituir o ser competentemente atendido.
Avaliação certificada dos docentes universitários, sim. Melhorar a formação dos gestores, sim.
Haver plataformas de rede de associações de doentes, nada a opor.
Reforço a importância de fomentar a literacia em Saúde. E concordo com o consentimento informado que permita o opt out.
Será necessário criar mais uma entidade reguladora para a informação? Manifesto as minhas dúvidas. E coloco muitas reticências à permissão de vendas de dados, ainda que anónimos.
Assegurar os direitos dos cidadãos perante a perda de privacidade e segurança da informação, claro que sim.
Concordo com a criação de normas de regulação para as aplicações móveis informáticas e com o apoio à robótica e à inteligência artificial.
Gostaria, no entanto, de refletir um pouco sobre o que nos espera em termos de evolução dos sistemas de saúde, particularmente na Europa. Essa evolução vai depender da Tecnologia, da Informática e do Conhecimento, mas também das politicas sociais e socioeconómicas.


Que Europa iremos ter em termos de Saúde em 2040?
A UEG (União Europeia de Gastrenterologia) desenhou três cenários, consultáveis no seu site. Reproduzo aqui algumas ideias, citando o meu colega Rogério Godinho:


1º cenário: A Idade do gelo, numa perspetiva pessimista, em que se assistirá a um empobrecimento geral da Europa, com uma população envelhecida, com desemprego e marginalidade, e sem politicas de coesão. A Saúde existirá a duas velocidades: uma privada, boa, cara e não equitativa e uma saúde pública colapsada, sem capacidade de resposta adequada, havendo grande prevalência de alcoolismo, tabagismo, obesidade, doenças crónicas e resistências bacterianas, num contexto em que os profissionais de saúde emigram.


2º cenário: A Idade do Silicone, partindo do pressuposto que haverá crescimento económico, grande desenvolvimento cientifico e tecnológico, o que permitirá uma Medicina de alta tecnologia, custo-efetiva, disponível para a maioria. Haverá algoritmos definidos à nascença para rastreio genómico e esses meios estarão disponíveis numa lógica de self-service, atribuindo-se aos profissionais de saúde um papel de meros conselheiros.


3º cenário, o mais otimista: A Idade do Ouro, em que a Europa conseguirá ultrapassar os problemas e desafios atuais, sendo possível evoluir para um rejuvenescimento da sociedade que se assumirá multicultural e unida, com sistemas fiscais, educativos e de Saúde homogéneos, permitindo uma saúde pública universal e preventiva. Haverá necessariamente necessidade de racionalização e regulação pública, mas os profissionais de saúde manterão um papel tradicional centrado no doente.

Veremos o que o futuro nos espera.

António Curado Comentário 2018
Diretor do Serviço de Tecnologias e Sistemas de Informação do Centro Hospitalar do Oeste 
Sessão: Dados e Evidência | Health Parliament Portugal

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