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miércoles, 17 de octubre de 2018

CABO VERDE
NOTAS DE VIAGEM

Fortalecendo os laços com o mundo de língua portuguesa e a cooperação para o impulso da utilização das tecnologias e a difusão das boas práticas de gestão, a APEGSAUDE esteveá presente neste Congresso .

O Engenheiro Carlos Tomás Presidente da Associação aproveitou a viagem para retomar contactos com a realidade do setor da saúde de Cabo Verde.


Hospital Agostinho Neto | Fim de Linha

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018
NOTAS DE VIAGEM

 

 

Conversámos longamente com o médico oftalmologista que assumiu a direção vai fazer dois anos, o Dr. Júlio Andrade.

 

Descreveu os esforços que têm tido para melhorar a gestão financeira e instituir uma cultura de rigor e transparência, fundamental para que os recursos sempre insuficientes possam ser bem utilizados. A tradicional dificuldade com que se defrontam todos os gestores hospitalares. Mas, sem uma gestão rigorosa, como se fundamenta a necessidade de mais recursos? Recursos que terão de vir da educação, das infraestruturas, de outras necessidades também prementes.

A pediatria e a obstetrícia é uma das áreas mais importantes e tem condições muito razoáveis. Cabo Verde tem vindo a melhorar significativamente os seus rácios na mortalidade perinatal e materna, sendo já poucos os partos realizados fora de ambiente hospitalar.

A urgência está naturalmente a necessitar de reformulação em virtude da carga assistencial que suporta.

A área cirúrgica é outro dos desafios que tem à frente. O bloco operatório é estruturalmente bom e o equipamento necessita de substituição e renovação urgente. Agora que estabilizou a situação financeira quer acometer estas melhorias imprescindíveis. Fala-se na necessidade de um novo hospital, mas considera que ainda é possível, dentro da atual estrutura, efetuar os investimentos previstos no plano diretor, que está muito bem elaborado. Coincidimos em que em grande parte dos casos se privilegiam os edifícios não se prestando a necessária atenção aos recursos humanos necessários, nem à sua formação, e se esquece muitas vezes que sem o equipamento adequado, e sem fortes investimentos na informatização, não se consegue uma boa assistência.

Outra das suas preocupações é a racional utilização dos recursos. E a sua viabilidade económica, que nem sempre é tida em conta. Equipamentos caros pouco utilizados e investimentos inadequados, ou efetuados a sentimento, sem ter em conta que o que se gasta num lado com pouco critério vai forçosamente faltar noutro, onde poderia produzir mais benefícios.

Um médico em funções de gestão. Com empenhamento, bom senso, e criterioso.

Desejamos-lhe os maiores sucessos. 



Sociedade e Cultura | Agradecimentos

4 e 5 de Outubro de 2018
NOTAS DE VIAGEM

 

Marisa Morais
advogada

Agradecemos a Marisa Morais, que foi uma distinta ministra da Justiça e do Interior de anteriores governos, a longa conversa sobre diferentes aspetos da sociedade cabo verdiana e o caminho que a levou, desde a independência até aos dias de hoje, a afirmar se como sociedade plural, uma democracia consolidada, em que a alternancia politica é uma realidade, o progresso social é uma evidência, e se proocura que as oportunidades sejam iguais para todos.

E a também sobre as dificuldades desse percurso, onde a par da liberdade espreitam novas dependências, de que a económica é uma das mais importantes, que se podem insinuar subrepticiamente todos os dias. Tudo tem um preço e não se pode esperar que as ajudas possam perpetuar-se de modo desinteressado.

Equilibrio e sensatez devem estar presentes na gestão do crescimento, na captação de investimento estrangeiro e na proliferação turistica.

Transmitiu-nos simpatia e inteligência. Ficamos gratos.

José Luís Biscaia, médico

Agradecemos ao médico José Luis Biscaia, responsável do Grupo Técnico da Governação Clinica e da Saúde nos Cuidados de Saúde Primários portugueses, um dos palestrantes convidados para dissertar sobre Desafios na Intercolaboração médico-farmacêutico, pela paixão que o vimos colocar na visão sobre as estratégias de desenvolvimento organizacional, na inquirição dos objectivos últimos que a organização deve servir e que estão na sua razão de ser, em detrimento daqueles que as organizações geram por si por si próprias, autoalimentando se dos seus próprios fins.

Dvesenvolvimento organizacional com estratégias possibilitadas pela revolução digital, pelo avanço das comunicações, pela interação programada com o doente baseada nas novas capacidades das tecnologias de informação.

Tempo real e exploração com vista ao conhecimento.

Estratégias em que os cuidados primários estao à frente, apesar da rigidez demonstrada pela gestao centralizada destas tecnologias e da dificuldade das estruturas centrais em se aperceberem dos ganhos potenciais e imediatos para a produtividade e qualidade do trabalho e da assistencia médica.

A ter em conta.

 

Muita Juventude e Duros Desafios

Reunião com o Ministro da Saúde e da Segurança Social
Arlindo Nascimento do Rosário


Terça-feira, 2 de Outubro de 2018.
NOTAS DE VIAGEM

 

Fomos hoje recebidos pelo Senhor Ministro da Saúde e Segurança Social de Cabo Verde, médico, que passou brevemente em revista os enormes desafios com que se debate o sistema de saúde.

O primeiro, é a implementação de um forte investimento em equipamento de imagiologia e analítica laboratorial de valor superior a 10 milhões de euros que está a ser realizado com a ajuda do governo belga, visto que os equipamentos existentes estão obsoletos ou desgastados pelo uso. Gerir bem este esforço significativo para melhorar as infraestruturas é uma das maiores preocupações. É necessário substituir a manutenção reativa, altamente ineficiente, que até agora é a norma, pela manutenção proativa programada. Deixar de atuar apenas quando avaria o equipamento ou falta o consumível para antecipar e prevenir.

Por outro lado, este forte investimento em equipamento, implica um melhor uso e uma gestão adequada da sua utilização pelos vários serviços que dele necessitam. E necessário implementar uma utilização partilhada eficiente.

Em Cabo Verde nada disto é fácil. São 10 ilhas populadas por 500.000 habitantes, dos quais quase metade concentrados na Ilha de Santiago e na capital, na Cidade da Praia.

E os recursos económicos são escassos. Mas é gente habituada a lutar com as condições difíceis que a natureza lhes oferece, no meio do atlântico, sofrendo a influência do deserto africano, com uma pluviosidade inconstante e largos períodos de seca.

Os habitantes vivem maioritariamente da agricultura, da pesca e do turismo. Mas a ambição é grande e querem ser uma plataforma fornecedora de serviços para a África, apoiados numa escolaridade forte e numa educação de qualidade, com uma localização estratégica muito importante, possuindo uma visão global que a diáspora cabo verdiana transmite. Outros 500.000 cabo verdianos estão espalhados pela europa e estados unidos.

O segundo desafio é que a pirâmide etária em Cabo Verde, ainda é uma pirâmide, ao contrário do que se passa nos países desenvolvidos, mas já se notam modificações preocupantes. A população é muito jovem. Mas o perfil das doenças está a mudar e, hoje, as doenças do bem-estar, como a diabetes e a hipertensão, são já uma das maiores despesas que são obrigados a suportar para manter a saúde da população, que cada vez tem uma esperança de vida mais alta.

O terceiro desafio é o desenvolvimento harmonioso e equilibrado da rede de cuidados.

Cabo Verde possui dois hospitais centrais e procura desenvolver os cuidados primários e desenvolver os centros de saúde.

Foi tema da troca de impressões as dificuldades que a excessiva separação entre os cuidados primários e os hospitalares ocasiona. Talvez um dos maiores erros do modelo que tem sido desenvolvido, em Portugal e noutros países, de funestas consequências.

O doente é uno, e a sequência de cuidados é também una. O foco tem de estar na integração e na fluidez do fluxo de cuidados que necessitam de estar absolutamente integrados. As barreiras entre a medicina geral e familiar e a medicina interna deveriam talvez ser objeto de uma profunda reflexão quanto à sua razão de ser e seguramente as carreiras deveriam ser revistas, opinámos. E referimos a reunião recentemente promovida na Faculdade Medicina do Porto juntando os responsáveis pelo ensino e os responsáveis pelos hospitais, onde ficou claro que os perfis de especialidades médicas já não correspondem às necessidades sentidas pelos hospitais, e se corre o risco de obsolescência face dos desafios da inteligência artificial e da robótica.

Outro dos desafios são os recursos humanos. O Sr. Ministro referiu que o rácio de médicos por habitante é muito baixo e que um terço dos médicos existentes são de nacionalidade cubana ao abrigo dos projetos de cooperação. O ensino médico passou a ser uma realidade devido ao acordo com a Faculdade de Medicina de Coimbra, que permitirá que dentro de poucos anos os médicos possam terminar a sua formação em Cabo Verde. O ministério aposta numa formação contínua e à distância, que deu bons resultados com os profissionais de enfermagem.

E seguem outros desafios.

Do ponto de vista organizacional, Cabo verde está a implementar agências reguladoras. E vai ter em breve uma entidade reguladora da saúde, a exemplo de Portugal.

Demos conta da nossa experiência no Conselho Consultivo e no acompanhamento do sistema de qualidade. Observamos que existe uma tendência para que estas entidades se burocratizem e multipliquem as suas competências, dando origem a inúmeras sobreposições e duplicações com outros organismos, o que não é de todo eficiente e razoável. 

O crescimento acelerado do turismo está na origem de um setor de prestação privado, ainda muito incipiente, mas que poderá crescer muito rapidamente.

Cabo Verde tem já em funcionamento uma agência com competências regulatórias para o medicamento e compras centralizadas.

Manifestamos ao Sr. Ministro o empenhamento da APEGSAUDE em cooperar com as autoridades da saúde de Cabo Verde e desenvolver muito em breve iniciativas conjuntas.

 

Como Alcançar Melhores Resultados em Saúde 

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018
NOTAS DE VIAGEM

 

 

 

Foi este o título de uma interessante conferência proferida por Maria da Luz Mendonça, médica e Presidente do INSP Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde, no decorrer dos trabalhos do congresso.

Valorizou a investigação e o estudo necessário dos perfis de doença, que estão a mudar rapidamente, para que as políticas possam ser orientadas e focadas no que é importante e no que é grave e tem impacto na saúde das populações.

Valorizou a qualidade e chamou a atenção para os custos enormes de fazer mal. Custos não previstos, custos indeterminados, custos a que é difícil fazer face, e que vão consumir recursos que tanta falta farão.

Falou de conceitos chave a ter em conta no contexto de alcançar melhores resultados em saúde como eficiência, investimento em saúde, inovação, financiamento e aposta em tecnologias de qualidade. Ressaltou ainda os desafios de se alcançar a cobertura universal em saúde para alcançar melhores resultados em saúde.

Parabéns à conferencista.

 

 

 

Ordem dos Médicos
Um Psiquiatra Tranquilo e Optimista

Quarta-feira, 3 de Outubro de 2018
NOTAS DE VIAGEM
 Visitamos ao final da tarde a Ordem dos Médicos de Cabo Verde para uma conversa com  Daniel Silves Ferreira, o Bastonário dos cerca de 300 médicos ativos que exercem a sua atividade no arquipélago.

Deparamos com um psiquiatra tranquilo e otimista em fim de mandato que nos falou longamente no crescimento do número de médicos, todos formados fora no estrangeiro, na dificuldade de os fixar, na colaboração de Cuba, donde provêm muitos, mas dos quais poucos se fixam, o que torna a assistência pouco estável. Mas não só Cuba. Um conjunto grande de médicos dos EUA e da Europa desloca se com muita regularidade a Cabo Verde, onde podem dedicar-se a tratar uma série de patologias, muito frequentes e comuns nas ilhas, mas raras nos países desenvolvidos.

A criação dos colégios de especialidade tem sido uma das suas preocupações, apesar do pequeno número de profissionais em algumas destas. O equilíbrio entre a necessidade de especialização e a necessidade de manter uma elevada polivalência, o perfil dos médicos de clínica geral e a necessidade destes manterem uma ligação intensa ao ambiente hospitalar foram temas abordados e objeto de uma reflexão.

Falou entusiasmado das perspetivas do país, que viu crescer e evoluir, melhorando as condições de dia para dia. Pudemos verificá-lo.

O turismo cresce, no segmento sol e praia, mas também de montanha e aventura, de natureza, e atividades desportivas náuticas em todas as ilhas. As infraestruturas modernizam-se e as filas de espera praticamente não existem. É tudo perto.

Existe organização, as instituições funcionam. A economia é estável, suportada pelo turismo e por elevadas remessas financeiras da emigração. Apesar de muitos dos bens serem importados, a agricultura é solicitada por uma procura hoteleira de produtos frescos e cultivados em condiçoes naturais. De igual modo a logistica e distribuiçao estão em crescimento. Um acordo especial com a União Europeia faz destas ilhas um país que pode ambicionar ter um papel destacado nas relações entre a África e a Europa.

Verificam se esforços muito importantes para dotar todas as ilhas, de transportes regulares, de energia elétrica, em parte renovável, e no abastecimento de água potável, escassa por virtude do clima pouco pluvioso.

Acrescentamos que a música está omnipresente, enche-nos a alma. E concluimos, que o futuro de Cabo Verde pode ser encarado com otimismo e tranquilidade.

 

 


 


Contactos E-mail. sec@apegsaude.org Tel. +351 936712131

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