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segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018

 

A APEG Saúde promoveu, no passado dia 15 de Maio, mais uma edição do Encontro Nacional de Directores Clínicos. Estiveram presentes Directores Clínicos de muitas instituições, públicas, privadas e sociais, quer da área da prestação quer do financiamento e regulação e de muito variadas regiões do país, de norte a sul, do litoral ao interior. Foi um debate muito participado e profícuo, em que se partilharam, debateram e confrontaram diferentes problemáticas, na visão dos diferentes sectores e com as especificidades de cada um.

Nas diferentes intervenções, transpareceu esta heterogeneidade enriquecedora, resultante do facto de, sob a mesma designação de “Director Clínico”, podermos encontrar diferentes contextos funcionais, com vivências diferenciadas, responsabilidades variadas e visões distintas, muitas vezes resultantes de abordagens desde ângulos variados aos mesmos problemas.
Nesta heterogeneidade, discutiu-se se a função do Director Clínico estaria mais próxima de um Director da Qualidade ou de um Director de Produção (quantidade), sendo consensual, apesar dos variados modelos de funcionamento, que a função de Director Clínico não substitui nem um nem outro, precisando de ambos, mas tendo uma função integradora e equilibradora entre a qualidade e a quantidade.

Sobre a actual função de Director Clínico, também se abordaram os diferentes níveis de responsabilidade organizacional, desde modelos com funções executivas, em âmbito de Conselho de Administração, até participações sem funções executivas, projectando-se as reflexões para o futuro e para os seus desafios, com o caminho para uma organização dos cuidados por processos e com maior multidisciplinaridade, menos dependente de uma organização da Medicina por especialidades e, portanto, organicamente mais transversal e, consequentemente, com maiores responsabilidades dos Directores Clínicos.

Interessante foi ainda registar que o sector privado da saúde ainda não parece estar confortável em assumir que, à semelhança de qualquer outro sector de actividade, o lucro é, também, um claro objectivo porque, inevitavelmente, é ele o “motor” e a justificação para qualquer investimento privado. Enquanto continuamos a ouvir do lado dos Hospitais Públicos, a referência às crónicas “grandes dificuldades” e “deficits”… Uma referência ao debate acerca da qualidade (e produção) dos Serviços Clínicos, parecendo unanime que estão intimamente relacionados com a prestação dos Directores dos Serviços. Mas se os Serviços Clínicos são “a cara” dos seus Directores, não serão estes “a cara” dos Directores Clínicos (que têm a responsabilidade de os nomear)? Neste tópico já não houve consenso, distinguindo-se dois blocos: de um lado, os Directores Clínicos do sector privado que aceitam essa responsabilidade porque reconhecem fazer avaliações e delas tirar consequências para a escolha e manutenção dos Directores dos Serviços; do outro, os Directores Clínicos do sector público que consideram ter instrumentos de avaliação inexistentes ou mais rudimentares e pouco consequentes.

Este foi mais um fórum de partilha e debate dos Directores Clínicos, num modelo que tem vindo a ser muito útil e apreciado e que vai continuar a merecer da APEG Saúde a atenção e a organização de futuros eventos, dando continuidade a esta oportunidade única e profícua de um encontro nacional entre todos.




 

Comentário
Encontro Nacional de Diretores Clínicos

João Gamelas
Presidente do Conselho Geral da APEGSAUDE e
Diretor Clínico na Portugal Telecom

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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