sábado, 19 de Maio de 2012

Eduardo Vigil aponta a existência de informação como o caminho para fazer melhor
Médicos têm «obrigação de ser mais eficientes»

Para Eduardo Vigil, chefe de documentação clínica de um hospital espanhol, as instituições têm de se «comparar e competir», e passar a centrar-se em toda a história clínica do doente, e não apenas no momento em que contacta com o hospital.

Eduardo Vigil, cardiologista e chefe de documentação clínica do Hospital Virgen del Rocío, em Sevilha, apontou a responsabilidade dos médicos em mudar a forma de pensar a Saúde. Numa conferência promovida pela Associação Portuguesa de Engenharia da Saúde, o palestrante sublinhou que os médicos, na maioria dos casos, «tornam as doenças crónicas», mas «curam muito pouco». E isso, lembrou, «pressupõe um consumo muito elevado de recursos». Além do mais, sublinhou, «30% dos doentes a quem se deu alta são novamente admitidos» no hospital, um cenário que, a juntar à discussão na Europa de como manter os sistemas de Saúde sustentáveis, acaba por levar o cardiologista a apontar a ideia da responsabilização dos profissionais: «Os médicos de todo o Mundo têm obrigação de ser mais eficientes.»
Na opinião de Eduardo Vigil, «os médicos têm de fazer algo para não abordar da mesma maneira os cuidados». E isso passa não só por desenvolver a «telemedicina» e a «hospitalização no domicílio», mas também por «fazer uma autocrítica» aos procedimentos. Por exemplo, o orador questionou se «é necessário ter um anestesista por cirurgião para colocar uma gota no olho de um doente que vai ser operado às cataratas», ou se será necessário «prescrever anti-retrovirais uns atrás dos outros» quando o doente não responde.

«Fazer melhor, mais eficiente»

Para o cardiologista espanhol, os médicos «têm de se comparar, têm de competir», tal como «o Hospital Virgen del Rossío tem de competir, não só com os hospitais de Málaga ou de Córdova, mas com os de Coimbra ou de Lisboa». É que, conforme explicou, «estamos na Europa, as pessoas movem-se e vão onde as tratam melhor».
Razões pelas quais a existência de informação e a produção de conhecimento a partir da mesma «é o único caminho» para «fazer melhor, mais eficiente». Eduardo Vigil frisou na sua palestra, sobre «História electrónica e inteligência clínica», que «sem dados é impossível analisar e é impossível que nos comparemos». Além disso, a informação serve também para que «as pessoas saibam que não as enganamos».
O médico sublinhou que «é preciso dizer aos cidadãos quais são os resultados» da actividade dos profissionais de saúde e afirmou mesmo, a propósito, que «o consentimento informado que é possibilitado actualmente aos cidadãos é uma fraude». Isto porque «falamos da média de mortalidade» de determinada doença, mas esses dados «são de Massachusetts ou daqui?», questionou.

«Instrumento poderoso»

Para o presidente do conselho de administração (CA) dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e moderador da sessão, Fernando Regateiro, nas palavras do médico espanhol «há um aspecto muito claro» que aponta, nomeadamente, para uma situação em que «não pode haver bunkers no hospital». Assim, os clínicos devem continuar a «recorrer aos colegas» para solucionar problemas e criar sinergias», e não se pode ignorar que actualmente existe um «instrumento poderoso que é o conhecimento que se gera no hospital». Lamentou, contudo, que ainda não haja «a percepção do bem que este conhecimento significa», em termos de «ganhos de eficiência, de qualidade».
O administrador dos HUC também comentou o facto de Eduardo Vigil ter insistido na sua palestra que é fundamental uma mudança de paradigma nos hospitais, passando-se da «lógica do internamento para a lógica do processo». Fernando Regateiro admitiu que «gerir o processo do doente» não é uma preocupação dos hospitais em Portugal. Estes, afirmou, «preocupam-se com o doente enquanto ele está à sua frente». E sublinhou que «em sistemas de Saúde como o da Andaluzia» o percurso do doente já é uma preocupação — «o processo de financiamento já inclui o antes, o durante e o depois» —, pelo que o que se fizer em todo o processo «reflecte-se em poupança ou desperdício».

Susana Ribeiro Rodrigues

«Empresas fogem da interoperabilidade»

A denúncia em relação a empresas que dificultam a compatibilidade entre diferentes sistemas de informação partiu do presidente do CA dos HUC, Fernando Regateiro. Disse o responsável que há «empresas que fogem da interoperabilidade». A propósito do assunto, explicou: «No meu hospital, há duas empresas que fogem uma da outra.» E isto passa-se «com intervenções a nível do Ministério [da Saúde]».
Por seu lado, José Carlos Nascimento, assessor do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, admitiu que «o Estado tem responsabilidades no conflito entre fornecedores, ao não definir as regras» nesta matéria. Sublinhando que da parte dos administradores hospitalares deve haver «oposição firme» a esse tipo de práticas, o responsável informou que «nos próximos dias» o Governo vai avançar «com algumas transformações que vão ser operadas a nível dos sistemas de informação do Estado», nomeadamente, «separando o que são normas, certificação, capacidade de fazer benchmarking», dos aspectos «meramente operacionais».

Desperdício nos sistemas de informação

Para o coordenador nacional do registo de saúde electrónico, Luís Campos, «a descontinuidade dos investimentos» na área da informação e da qualidade tem sido dos «maiores desperdícios». Na intervenção que fez no encontro da Associação Portuguesa de Engenharia da Saúde, o médico deu mesmo o exemplo do hospital em que trabalha, o de S. Francisco Xavier, que «no fim dos anos 90» empreendeu um processo de aquisição de sistemas de informação. Esse processo «caiu», afirmou o internista, porque «se mudou de administração». Nos anos mais recentes, criticou também Luís Campos, «deixou-se que cada hospital tivesse o seu sistema de informação».

Além disso, destacou que apesar dos investimentos efectuados, «não se exploram todas as virtudes» do sistema. E exemplificou que nos serviços de Urgência se tem «instalado o mesmo sistema de informação em todas as urgências polivalentes, em 20 ou 30 urgências médico-cirúrgicas e em cerca de 18 serviços de urgência básica». Contudo, «se quisermos dados agregados dos serviços de Urgência, não existem».
Outro aspecto que Luís Campos sublinhou é o facto de que «a informatização, por si, não tem grande evidência de impacte na qualidade nem na redução dos custos». Isto se não tiver «informação estruturada», como sistemas de alerta e protocolos.

Equilíbrio na propriedade intelectual

A questão da propriedade intelectual dos dados que vão sendo carregados nos sistemas de informação foi um dos aspectos abordados por José Carlos Nascimento, assessor do secretário de Estado Adjunto e da Saúde. O responsável questionou o chefe de documentação clínica do Hospital Virgen del Rocío, de Sevilha, Eduardo Vigil, sobre o «mecanismo de equilíbrio» ali utilizado. O médico espanhol deu o exemplo prático de que, caso um profissional queira utilizar os dados produzidos por outro, «tem de explicar porquê». Os «problemas», conforme indicou Eduardo Vigil, colocam-se nos «departamentos transversais». Mais uma vez recorreu a um exemplo: «Os laboratórios não podem usar dados da Cardiologia.»
Sublinhe-se que o encontro promovido pela Associação Portuguesa de Engenharia da Saúde contou ainda com a participação do vogal do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central, Manuel Brito, o director da gestão de tecnologias e informação do Hospital de Fernando Fonseca, Rui Gomes, além de José Costa e Roberto Molero, da empresa InterSystems.

TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2010.07.19
1013961C02210SR28A

 

Eduardo Vigil: "La información debe utilizarla el que la necesita"
Inquieto por naturaleza, tras tentar la música, el fútbol, la Cardiología y la Administración, ha encontrado su lugar en el mundo de los sistemas de información.
 
-La Medicina no fue su primera vocación, ¿no?
-No, yo quería ser músico. En mi familia todos lo son; mis abuelos, mis padres y todos mis tíos, salvo uno al que he debido de salir, tocan algún instrumento. Pero tras cinco años de solfeo y dos de violín, mi abuelo se dio cuenta de que aquello no era para mí, y dejé el conservatorio.

-¿Sigue la música presente en su vida?
-Continuamente: en el trabajo, cuando leo, cuando estoy en casa... Casi siempre conjugo lo que estoy haciendo con la música, salvo en los momentos en que tengo que parar para escuchar una determinada pieza a la que hay que prestar atención.

-Descartada la carrera musical, ¿cuál fue el siguiente paso?
-Quería ser futbolista, algo que se me daba bastante mejor que la música. No me lo planteé como algo profesional hasta que, tras ganar un campeonato juvenil con el colegio, el Sporting de Gijón me ofreció fichar.

-¿Por qué no llegó a hacerlo?
-Mi padre no quería que viviera esa vida, y me llevó por los bares de Gijón para que viera cómo acababan muchos futbolistas profesionales.

-Entonces se decidió por la Medicina...
-Aún pasé un año entero en París, aprendiendo mucho, porque acabé el bachillerato muy joven y tenía tiempo antes de ir a la universidad. Eso sí, al volver, ya tenía claro que quería estudiar Medicina en Salamanca, y allí fui.

-¿Por qué especialidad se decantó?
-Me formé en Cardiología Infantil en el Hospital de Cruces, en Bilbao.

-Pero tampoco fue su destino definitivo, ¿no?
-No, porque al poco entré en la Administración: con el primer Gobierno del PSOE fui nombrado director general de Planificación Sanitaria. Era la época en que entrábamos en la Unión Europea, y teníamos que ser competitivos. El caso es que nos dimos cuenta de que teníamos un buen sistema desde el punto de vista asistencial, pero no había datos que nos permitieran investigar y disfrutar de la información que generábamos.

-Parece que por fin encontró su vocación...
-Sí, parece que sí. Cuando cerré mi etapa en la Administración fui a Estados Unidos con una beca Fulbrigth para aprender sobre sistemas de información. Al volver, pude aplicar lo aprendido, primero en el Hospital General de Valme y después en el Virgen del Rocío, ambos en Sevilla. Y hasta hoy.

-¿De qué le sirvió esa experiencia estadounidense?
-Allí los médicos tienen un máximo de siete días para hacer el informe de alta, porque en ese tiempo debe incluirse en los grupos relacionados de diagnóstico (GRD), en función de los cuáles el hospital cobra. Los responsables de algunos hospitales empezaron a quejarse de que todos esos datos se utilizaban sólo para los sistemas de información que dependían de la Dirección Económica y no podían utilizarlos los clínicos. Desde entonces empezaron a depender de la Dirección Médica o de la Gerencia, algo que he intentado aplicar aquí. Hemos desarrollado un modelo de estación clínica en que todos los datos introducidos son explotables.

-Sin embargo, aún se oye la misma queja que a principios de los 80: hay mucha información, pero no puede usarse.
-Tenemos la tecnología suficiente, y experiencias válidas que pueden exportarse, pero la mayoría de la información no la puede aún usar la gente que de verdad la necesita: los que la generan, los profesionales sanitarios. Eso debe cambiar.

Rosalía Sierra - Miércoles, 14 de Octubre de 2009

Programa
12 de Julho de 2010
Palácio de Queluz
Sala Dourada


10h30
Abertura e café de boas vindas
11h00
Conferência
História Electrónica e Inteligência Clínica
Os Avanços do Hospital Virgen del Rocio de Sevilha
Eduardo Vigil
Médico Jefe Documentacion Clínica
Questões Práticas
José Costa
Sales Manager
INTERSYSTEMS

12h00
DEBATE

PAINEL
Manuel Brito
Vogal do Conselho de Administração
Centro Hospitalar Lisboa Central
Luís Campos
Coordenador Nacional do Registo de Saúde Electrónico
Rui Gomes
Director  Gestão Tecnologias e da Informação
Hospital Fernando da Fonseca
José Carlos Nascimento
Assessor Secretaria de Estado da Saúde
13h00
Fecho



Programa actualizado em www.apegsaude.org
Entrada sujeita a inscrição


 

Colaboração Especial
    
  

 Contactos   E-mail. sec@apegsaude.org   Tel. +351 936712131
 

Privacidade  |  Condições de Utilização
Copyright 2010 by APEGSAUDE